Exposição - "VENTOS, SOMBRAS" de Paula Rito

Exposição patente de 03 a 30 de Dezembro

  Partindo de cadernos de desenho, diários gráficos, cadernos de viagem, territórios mínimos que funcionam como localizações; tomando a metáfora paisagística como meio operativo; Paula Rito realiza um exercício permanente sobre as condições de procedimento da própria pintura, sobre a ligação da imagem pictórica com o mundo visível e a fenomenologia da visão, mas também uma reflexão, sobre o corpo que pinta e sobre o corpo que vê.

  Afirmando porventura uma espécie de afago dos sentidos entre o modo como o corpo que é o nosso vê o corpo da pintura que pode ser visto; que espera, que busca, que procura encontrar, já não a descoberta do lugar, mas o lugar da descoberta.
  Na procura de uma identidade assombrada e dominante, a autora questiona a paisagem e constrói por envolvimento, os registos singulares, motivados, como oscilações em relação a uma matéria sempre rebelde que torna possível o desdobramento da representação e desvela a condição do sujeito pensante.
  Na errância da representação, a projeção do próprio corpo no corpo do mundo.
  Normalmente, Paula Rito usa a analogia do trabalho como se fosse um território ou mapa. Não encontramos uma sucessão de momentos que vão evoluindo em função uns dos outros, mas a possibilidade de criar um terreno, onde se pode explorar determinadas matérias, num alargamento e aprofundamento do território sempre recuperável. O trabalho da autora não funciona por etapas, mas sim por séries. No seu percurso artístico, tem voltado aos mesmos temas vezes sem conta; é como voltar ao passado, mas já com história do futuro. Há a constituição de um mapa de interesses, de uma aprendizagem visual e corporal porque na pintura, o olhar aprende e o corpo aprende; há uma adaptação deste e da visão que são modos de relacionamento com o mundo e que constituem um património que vai adquirindo, interrogando, que vai sendo recuperado, refeito e repensado.
  Na medida em que nos representamos no que está perante nós, cada paisagem transmutada pode ser um lugar de aprendizagem do olhar sobre o cosmos e sobre as condições de procedimento da própria prática da pintura. A vivência da perceção é habitada por um corpo e por um mundo de espessura recíproca (Ineinander).
  Reaprender a ver, recomeçar escavando, regressar à paisagem e estar atento à espessura que nos separa da obra, são os princípios geradores da pintura de Paula Rito, uma forma de transformação que pode ser um lugar mítico, retornado, diário gráfico do lugar onde as coordenadas espaciais se fendem e se abrem diante de nós, acabando por se abrir em nós e assim, nos incorporam, por inteiro. É quando uma obra dá lugar a outras plurais que percebemos que as coisas visuais são sempre já lugares.

Isabel Ventura Tavares, excerto do texto «Da terra e do mar para outro lugar». in Estúdio 6, Faculdade de Belas Artes da universidade de Lisboa. 2012.

  • 160/220
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